Sobre meu tumblr
04 de novembro de 2005.
Está ai uma data que nunca vou me esquecer. Já era noite quando cheguei em casa e observei o movimento das pessoas de um lado para o outro e sem entender nada, perguntei à minha avó o que estava acontecendo ali, na minha casa… Ela aos prantos e arrumando algumas coisas me mandou ir falar com os meus tios. Naquele momento, eu tinha certeza que alguma coisa ruim teria acontecido e lá no fundinho do meu coração eu sabia muito bem o que era, porém estava com medo de acreditar naquilo. Passei por todos os cômodos da casa até chegar no fundo, que, foi quando percebi que meu avô também não estava bem, cabeça baixa e as mãos no joelho, meus familiares todos ali chorando - Continuei caminhando até a sua casa, que por sinal, era do outro lado, que só havia um muro e uma porta que nos separava, distância pequena era a nossa. Chegando lá, comecei a procurar minha tia, entrei no seu quarto e lá estava ela, junto com meu irmão e meu tio. Me lembro perfeitamente daquela cena, meu irmão na cama sentado, ela amarrando os cadarços do tênis dele e meu tio sentado na cadeira, que estava clara sua preocupação e sua angustia também. Queria fingir que não estava notando o clima que estava naquele quarto mais não consegui, perguntei o que estava acontecendo mais uma vez - meu tio respondeu : ’ nós já vamos conversar nany ’ já estava mais do que claro para mim, o que tinha acontecido, o nó na garganta foi inevitável, o desespero nem se fale e a sensação de perda também. Porém ainda havia uma esperança que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo. Minha tia terminou de amarrar os cadarços do meu irmão e nos levou para o outro lado da casa, atravessamos a porta e todos que estavam ali sentados, foram se levantando e nos deixando a sós - estava eu, meu irmão, meus avós e meus tios, nos sentaram na beirada da piscina e meus tios pegaram em nossas mãos. Baixinho falei no ouvido do meu irmão : ’ acho que o papai morreu ’ aquelas palavras tristes, fizeram lágrimas sair de ambos rostos, nos abraçamos e voltamos nossos olhares para meus tios. Foi então que meu tio, com cuidado em usar certas palavras nos explicou o que estava acontecendo, e antes mesmo dele terminar, eu e meu irmão juntos falamos : ’ o papai morreu, não é Cid? ’ e ele sem conter suas emoções nos disse que sim, afirmando com a cabeça. Meu Deus, eu não conseguia acreditar, o homem que estava comigo á dois dias atrás, a partir daquele dia nunca mais nos tocaríamos, nunca mais eu iria chamar alguém de ‘papai,’ de ‘meu papai’ , que dor - dor essa que é inexplicável, a dor de perder o seu pai. Naquela noite, fomos dormir na casa dos meus tios, no outro dia de manhã levantamos cedo e fomos rumo ao velório, chegando lá, não queríamos descer, recuamos, sentimos medo - uma coisa normal, afinal eu tinha meus 9 anos e meu irmão os seus 7 anos, éramos pequenos ainda. Depois de muita conversa com a minha tia, resolvemos descer, enquanto entravamos, percebi todos os olhares se voltar para nós, olhares de pena, dor, sofrimento, chegamos a porta da capela, respiramos fundo e demos a mão, entramos. Minha avó sentada desesperada, aos prantos e minhas primas ao lado segurando sua mão. Fomos nos aproximando do caixão, as lágrimas - ah, essas já não tinham mais controles, escorriam a todo momento. Ver o meu pai ali, o meu herói, doeu muito, não consegui ficar ali mais do que 10 minutos, fomos pra fora da capela e sentei num banco, minha mãe chegou e me abraçou forte, fiquei conversando com ela, tentava me distrair e conversar sobre outros assuntos, mas na minha cabeça só havia um único pensamento : o meu pai. Logo depois, a família do meu irmão chegou, ele ficou com eles um pouco e foi para a casa do seu avô. Eu continuei ali com a minha mãe, meus tios - por pouco tempo, pedi para ir embora. Sai dali e fui para um ensaio de ballet. E então levo comigo o meu pai, meu papai no meu coração, aonde quer que eu esteja, sei que ele está comigo. Por isso eu digo : Aproveite cada momento com seu pai, nunca se sabe quando vai ser a ultima vez que irá vê-lo.
EU TE AMO PAPAI, AONDE QUER QUE VOCÊ ESTEJA !